Katherine Weyne

‘A Favorita’: brilhante e excêntrico

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A atuação de Emma Stone rendeu indicação ao Oscar.

Após consolidar-se como um dos melhores e mais excêntricos diretores da atualidade em suas obras O Lagosta (2015) e O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017), o diretor grego Yorgos Lanthimos nos introduz seu novo longa: A Favorita. A obra recebeu dez indicações para o Oscar.

O filme se passa na Inglaterra, no século XVIII durante o reinado da rainha Ana (Olivia Colman), e se trata do duelo de duas primas, Lady Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone) pelo favoritismo da rainha em meio a guerra com a França.

Retratada de forma provocativa, a trama mistura de forma harmônica drama, comédia e tragédia. E nos mostra como a troca do poder é capaz de interferir nas vidas não só dos personagens envolvidos, mas de um país inteiro (seja pelos caprichos da mimada e frágil rainha Ana ou pelas ambições de Lady Sarah e Abigail).

Olivia Colman (esq.): destaque.

As atuações do trio de atrizes que dividem o protagonismo do filme está perfeita (destaque para Colman!) A personagem de Emma Stone traz consigo aquele ar de “gata borralheira” e faz com que o espectador torça por ela sem saber as consequências disso. Interessante destacar que os homens são meros coadjuvantes que só aparecem quando necessário ou para acrescentar um alívio cômico.

A Favorita é um filme sobre ambição e até onde o ser humano é capaz de ir para conquistar o que quer. E nos mostra com uma primorosa direção de arte uma representação debochada da aristocracia.

Stone: ar de “gata borralheira”.

Destaque para a trilha sonora, e o incrível design de produção, que juntos aos diálogos afiados e jogos câmera inusitados (como com o uso da lente olho de peixe) nos trazem uma experiência cinematográfica impecável. Uma sensação incômoda porém brilhante que somente o diretor grego conseguiria proporcionar.

A Favorita concorre a Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante com Emma Stone e Rachel Weisz, Melhor Diretor, Melhor Figurino, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte.

Katherine Weyne escreve sobre cinema, às segundas e quintas, no Diário do Poder.