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Narizes poderosos

O catarinense sempre bem-humorado Esperidião Amin presidia o PPR em 1993, e certo dia puxou papo com o senador Pedro Simon, dizendo que até mudaria de partido só para ajudar a eleger o gaúcho presidente nacional do PMDB.

- Depois a gente elege José Richa presidente do PSDB – brincou Simon.

- Assim nós vamos formar a República Árabe Unida – respondeu Amin, referindo-se à ascendência dos três – E será uma república tridimensional. As decisões serão tomadas de acordo com as dimensões do nariz: o Richa ganha pela largura, tu ganhas pela abertura e eu, pelo tamanho!

O duelo que não houve

Coronel Chico Heráclito, ACM do seu tempo, também sabia jogar pesado naquele Pernambuco dos anos 1960. Certa vez, reza a lenda, ele foi desafiado para um duelo pelo líder das Ligas Camponesas, Francisco Julião. Chico Heráclito topou o confronto:

- Topo, mas imponho condições. O local será em Limoeiro e as armas serão estas: eu entro com as patas, e o Julião com os chifres.

Não é a mamãe

Carlos Lacerda fazia na Câmara dos Deputados mais um discurso devastador contra o “mar de lama” do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia – em vão – um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, ele perdeu a paciência:

- F.D.P! – gritou ao microfone.

Com sua estonteante rapidez de raciocínio, Lacerda respondeu na bucha:

- Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe!

Dois em um

Além de Petrônio Portela, o articulador da abertura política, o Piauí tinha o senador biônico Lucídio Portela. Ao contrário do irmão, Lucídio tinha fama de autoritário e pouco letrado. Certa vez ele elogiava a ditadura quando citou o escritor Fiodor Dostoievsky. Um senador de oposição aparteou:

- Interessante sua citação de Dostoievsky. A propósito, o nobre colega já leu "Crime e Castigo"?

- Li os dois! - fulminou o velho Lucídio, multiplicando por dois o clássico romance da literatura russa.

Latindo por votos

Na campanha de Tancredo Neves ao governo de Minas, em 1982, o deputado Ronan Tito espalmava a mão e perguntava que número era aquele. O povão respondia “Cachorro!”, numa alusão ao jogo do bicho.

- Pois Tancredo será o cachorro que vai expulsar os ladrões do Palácio da Liberdade! – exclamava Tito.

A estratégia de gosto duvidoso preocupava os amigos de Tancredo, que provocaram uma reunião sobre o assunto. O vice Hélio Garcia discordou:

- Se for para ganhar a eleição, tem até que latir...

O lobby dos enforcados

Em 1988, uma comitiva do Ministério da Indústria e Comércio tentava com o governo Saddam Hussein quitar dívidas de US$2 bilhões com empresas brasileiras, entre elas a Mendes Júnior. Ressabiado, o deputado da extinta Arena Israel Pinheiro avisou ao ministro Roberto Cardoso Alves:

- O pessoal do Saddam que saber mais do “contrato dos enforcados”.

Pergunta daqui, pergunta dali, “Robertão” matou a charada: Saddam mandou enforcar funcionários iraquianos subornados por brasileiros.

Sem medo de grampo

Benedito Valadares estava no final do último mandato de senador, nos anos 1970, e evitava jornalistas. Certo dia, acabou encurralado em um corredor do Senado. Atônito, pegou o telefone mais próximo e fingiu que falava com alguém. Conversa demorada. Os jornalistas se impacientaram e ele reagiu:

- Não têm respeito? Não veem que estou falando com o Carvalho Pinto?

- Mas o Carvalho Pinto está ali do lado! – apontou um jornalista.

Valadares deu uma olhada, viu o colega, mas insistiu na desculpa:

- É que eu só falo com ele por telefone…

Grampo torcedor

Quando se especializava na União Soviética, o genial pianista Arthur Moreira Lima e sua família eram monitorados pela ditadura, que grampeava seus telefones, no Rio de Janeiro. Certa vez, ele esperou horas por uma ligação para saber o resultado de um jogo decisivo do seu time querido, o Fluminense. Mas sua mãe de nada sabia, nem havia ninguém por perto para ela perguntar. Arthur praguejava lá de Moscou quando o sujeito que escutava a ligação clandestinamente, também Fluminense doente, gritou:

- O Flusão venceu! Foi 2 a 1!

E desligou.

Fonte do planeta

Certa vez, ao ouvir do alagoano Geraldo Bentes, seu ex-secretário de Turismo, a piada de que os rios Capiberibe e Beberibe, do Recife, formam o oceano Atlântico, para ilustrar a suposta “mania de grandeza” dos pernambucanos, o recifense Cristovam Buarque, senador do PPS-DF, protestou imediatamente:

- E quem disse que esses rios formam só o Atlântico?

Questão sagrada

Apertada com doenças na família e dívidas de campanha, em fevereiro de 1990 já fazia um ano e meio que a então vereadora petista Irede Cardoso não pagava o “dízimo” cobrado pelo PT. Sem conseguir parcelar o débito, Irede propôs entregar uma máquina de escrever como pagamento. A oferta foi prontamente recusada pelo tesoureiro do PT paulistano, Sílvio Pereira:

- A questão financeira é sagrada no PT. É um dos nossos poucos dogmas.

Quinze anos depois, Sílvio “Land Rover” Pereira seria protagonista de um escândalo de corrupção no governo Lula, que o afastou da direção do PT.

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