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Tortura e sacrifício

Jânio Quadros era governador e vivia às turras com o jornal O Estado de S. Paulo, cuja independência não tolerava, nem as insinuações sobre seu apego aos copos. Após intensa negociação, da qual participaram políticos como José Sarney, Jânio fez uma visita ao dono do jornal, Júlio de Mesquita Neto, que logo ofereceu ótimas opções de uísque. Jânio soltou uma lorota:

- Mas, doutor Júlio, eu não bebo! Só aprecio leite!

O anfitrião pediu licença, foi à cozinha, arranjou uma enorme caneca, usada para beber chope, e a encheu de leite. Enquanto durou a visita, Jânio não largou o canecão. Disciplinadamente, bebeu tudo. Um litro de leite.

Sentença de morte

Papel em branco aceita tudo. Em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser seu vice prometendo renunciar em dois anos. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, reconheceu a assinatura, mas não a carta.

Moral da história: assinar em branco hoje é a sentença de morte amanhã.

Conta de somar

Homem sério, o líder mineiro Milton Campos nunca foi daqueles políticos que tentam explicar o inexplicável. Ele perdeu para João Goulart, em 1960, a eleição para vice-presidente da República, que na época não era “casada” com a de presidente. Na expectativa de obter avaliação profunda do seu próprio insucesso, um jornalista provocou:

- Dr. Milton, por que o senhor perdeu?

- Perdi porque ele teve mais votos, ora – disse, encerrando a conversa.

Rigor conventual

Era um almoço oferecido a empresários de outros Estados, no Palácio das Princesas, pelo então governador Roberto Magalhães. Durante a sobremesa, um dos convidados elogiou a fruta servida.

- É um fruto divino! – brincou Sileno Ribeiro, poderoso secretário do Gabinete Civil de Magalhães. Brincou com fogo.

D. Jane, a influente primeira-dama, católica fervorosa, achou que o secretário cometera blasfêmia. E exigiu sua demissão. Foi atendida.

Redondamente limitado

Se denúncias envolvendo parlamentares provocam revolta, a qualificação de boa parte deles tampouco motiva o respeito dos eleitores. Na CPI do Apagão Aéreo, o coordenador de Prevenção de Acidentes da Infraero explicava que se medem as pistas dos aeroportos com “régua milimetrada” quando o relator Marcos Maia (PT-RS) interrompeu, com ar de especialista:

- Quadrada ou redonda?

- Redonda?!?! – espantou-se o depoente, em meio a gargalhadas.

Sem contestações

Filiado à Arena, Horário Vargas quase se deu mal ao apoiar o candidato do MDB à prefeitura de Ponta Grossa (PR), em 1976. O partido se reuniu para expulsá-lo, mas na hora agá ele nem sequer foi admoestado.

- Você tinha muito apoio? – quis saber um repórter, intrigado.

- 38 – respondeu o político, secamente.

- Votos?

- 38 cano longo, carga dupla...

Eu bebo, sim

Flores da Cunha foi um dos maiores líderes políticos do Rio Grande do Sul. Mesmo com a reputação de emérito boêmio, chegado ao carteado, às bebidas e às mulheres, como acusou um adversário, num comício:

- Não bebo, não jogo e nem ando com mulheres de vida duvidosa!

O líder gaúcho ganhou a eleição admitindo, sem medo de ser feliz:

- Pois eu bebo, fumo, jogo, ando com mulheres... E tenho votos.

Acordo salvador

O vereador Totó Bezerra, de Teresina (PI), fotógrafo, certa vez recebeu em sua loja – vizinha a um banco – a visita do deputado João Clímaco. De repente chegou um eleitor e pediu dinheiro emprestado ao vereador. Clímaco meteu o bedelho para livrar o amigo da encrenca:

- Você está vendo o banco aqui do lado? – perguntou ao eleitor – Pois o Totó não pode emprestar dinheiro a você porque tem um acordo com o banco. Nem ele empresta dinheiro, nem o banco tira retrato.

Não tem perigo

Homem recatado, Djalma Marinho sempre foi respeitado como um político sábio, no Rio Grande do Norte e em Brasília. Não era para menos. Certa vez, em campanha no interior, o veterano político acabou atraído para dançar com uma eleitora, numa festa. Um amigo resolveu brincar com a situação, mesmo sabendo do comportamento reto de Marinho:

- Dr. Djalma, e se a sua esposa ficar sabendo disso?

- Minha mulher não acredita em ressurreição, meu caro – respondeu.

Reprodutor de votos

Candidato em 1968 à prefeitura de Barretos (SP), capital da agropecuária paulista, Cristiano de Carvalho era chamado de “velho” pelos adversários. Certo dia, num comício, alguém provocou: “fala mais alto, bagaço!”. Ele respondeu na bucha:

- Eu quero lembrar que sou candidato a prefeito, e não a reprodutor. Se a cidade quer um bom reprodutor, vocês devem votar no outro. Mas se deseja um bom prefeito, votem em mim.

Ganhou a eleição.

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