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Papel de deputado

Paulo Lustosa era deputado federal pelo Ceará quando foi procurado por um prefeito. Ele queria resolver “um problema urgente” e estendeu um papel.

Lustosa leu e se espantou com o teor da pretensão:

- Mas isto é ilegal, infelizmente não será possível.

O prefeito torceu o nariz, indignado:

- Se fosse legal, eu não precisaria de deputado...

Hóspede indigesto

Mocidade era figura folclórica na Paraíba dos anos 60. Não tinha emprego, mas andava bem vestido graças à generosidade de pessoas como o governador João Agripino, que até permitiu que ele morasse no palácio. Mas Mocidade adorava atacar o governador e pregava a invasão do palácio para “derrubar o governo!”. Agripino soube e o chamou para almoçar:

- Mocidade, quem lhe dá quarto e comida?

- O senhor.

- Como, então, você convoca uma multidão para derrubar o governador?

Mocidade respondeu com o garfo suspenso na altura do queixo:

- Governo tem que se lascar, existe para ser derrubado...

Torturador de ouvidos

Deputado do PDS, Nilson Gibson (PE) se divertia tirando a oposição do sério. Certa vez, em 1982, ele foi à tribuna da Câmara atacar o PMDB do seu Estado, para ele “vítima de araque” do regime militar. Em aparte, o peemedebista José Carlos Vasconcelos vestiu a carapuça e o acusou de “defender o arbítrio”. Com seu jeito eloqüente, Gibson desafiou:

- Vossa Excelência, por acaso, alguma vez já foi torturado?

Vasconcelos respondeu “não”. Era a “deixa” para o implacável conterrâneo:

- Mas bem que merecia!

Vingança

Líder do PTB na Assembleia Legislativa de São Paulo há dez anos, Campos Machado fazia marcação cerrada a parlamentares ligados ao MST. Um dia, um deputado do PT ligado aos sem-terra resolveu ir à forra:

- O pessoal vai invadir a sua fazenda, lá em Lins...

- Como vocês sabem que tenho fazenda em Lins?

- Temos as nossas informações... – respondeu o petista, sorrindo.

- Então invadam! – desafiou o líder do PTB.

O petista apenas confirmava que a propriedade era dele. No dia seguinte, o MST invadiu e vandalizou a tal fazenda em Lins, destruindo tudo. Machado se divertiu muito: sua fazenda era outra, no Vale do Ribeira.

O amigo Mário Soares

Mário Soares era presidente da República quando, em visita à Turquia, recebeu para jantar na embaixada de Portugal o também socialista Bettino Craxi, ex-premiê italiano que fugia da Operação Mãos Limpas.

Enfurecidos, os portugueses se dividiram entre os que exigiam sua renúncia e o impeachment. Ao retornar, dias depois, diante de dezenas de jornalistas no aeroporto, Soares fez um belo elogio ao valor da gratidão e contou que a seu pedido, como presidente rotativo do bloco, Craxi enfrentou Inglaterra, França e Alemanha para inserir Portugal da Comunidade Européia, salvando o país da bancarrota. E arrematou:

- Bettino Craxi é meu amigo, um grande amigo de Portugal, e eu não deixo cair os amigos.

Nunca mais se falou no assunto.

Candidato incondicional

No final de 1959, Quintanilha Ribeiro recebeu a cúpula da UDN (Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, entre outros) em uma reunião para pressionar Jânio Quadros a ser candidato a presidente, “desde que aceitasse algumas condições”.

Incomodado com a pressão, Jânio pediu uma “licencinha” e saiu da sala. Todos ficaram tomando uísque imaginando que o pré-candidato fora ao banheiro ou quem sabe buscar gelo.

Até que perceberam que ele simplesmente tinha ido embora. Foi difícil, mas conseguiram convencê-lo a voltar à reunião. E não se falou mais em “condições”.

Animal por sentença

Certa vez em Cachoeiro do Itapemirim (ES), no ano de 1974, o vereador Roberto Valadão (MDB) atacou o prefeito da cidade:

- O prefeito Theodorico Ferraço é um animal irracional!

Ferraço ficou furioso e processou o adversário, que acabou absolvido. As provocações e os recursos continuaram até que o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, anos mais tarde, quando Theodorico era deputado federal. O STF confirmou a absolvição de Valadão, que foi à tribuna e comemorou:

- O prefeito é um animal irracional, agora transitado em julgado!

Amizade íntima

O finado ditador Fidel Castro recebeu parlamentares brasileiros que participaram de um voo inaugural para Cuba, nos anos 80. Um deles, o deputado estadual paulista Waldemar Chubaci, que conhecera o líder cubano em outra ocasião, resolveu chamá-lo por um apelido pouco conhecido dos brasileiros:

- Comandante Fifo...

Mais tarde, os demais parlamentares resolveram chamar sua atenção:

- Como é que você chama o homem de “Fifo”?

- Ué – reagiu o deputado – ele só me chama de “Chuba”...

Os feitos de Mem de Sá

Estrela de primeira grandeza na CPI dos Correios, o ex-deputado Gustavo Fruet (PDT-PR) era candidato a vereador em 1996, em Curitiba, e visitou escolas com o pai, o saudoso deputado Maurício Fruet. Numa delas, um estudante resolveu testar o candidato, fazendo-lhe perguntas sobre vultos históricos como Juscelino, Getúlio Vargas, Jango etc. E, finalmente, atacou:

- E Mem de Sá, o que ele fez pelo Brasil?

Maurício resolveu intervir, encerrando o papo e a insistência do pirralho:

- Ele fez o que pôde, meu filho. Fez o possível..

Existe jantar grátis

O falecido deputado Maurício Fruet (PR) era mesmo um gozador. Nomeado prefeito de Curitiba em 1983, ele cedeu a vaga na Câmara ao suplente Dílson Vanchin, marinheiro de primeira viagem. Fruet aplicou-lhe uma “peça”, dizendo que era praxe vender tudo o que havia no gabinete. Vanchin nem desconfiou dos valores irrisórios que pagou. Contou a amigos:

- Dizem que o Fruet é esperto. Que nada! Fiz o melhor negócio da vida!

Convidado para um jantar com a bancada, na despedida de Fruet, Vanchin soube então que o dinheiro era para pagar a conta do restaurante...

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