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Loucura como herança

Grande contador de “causos”, o escritor e ex-ministro Ronaldo Costa Couto escreveu as “orelhas” do livro de Vera Brant, “JK, O reencontro com Brasília” (Record, Rio, 2002). Depois de lembrar Brant que em Minas não fica doido, piora, Couto contou que certa vez, em 1973, Juscelino Kubitscheck foi conhecer o apartamento da amiga, em Brasília, e se deparou com um belo carrilhão na sala.

- Herança do seu avô português, Vera? – perguntou JK. – Não. Da minha família, só herdei a loucura. O resto eu mesma comprei.

O animal e o periscópio

A polícia política de Felinto Muller, na ditadura Vargas, prendeu um suspeito de militar no Partido Comunista. Levado aos porões do Dops, foi submetido a uma medonha sessão de tortura por um delegado. Horas depois, chegou Luís Glayssman, do serviço secreto:

- Não adianta resistir: diga onde está o mimeógrafo.

- Ah, o mimeógrafo? Está enterrado lá no fundo do quintal...

- Por que não falou antes? – gritou Glayssman.

- É que esse animal passou o tempo todo onde estava o “periscópio”!

Censura na fonte

O comício de Leonel Brizola atraiu uma multidão, em Cruz Alta (RS). “De 10 a 12 mil pessoas”, exultou dr. Schmidt, médico e prefeito, da janela da prefeitura. Mas, de repente, naquela época pré-celular, ouviu uma jovem repórter ao telefone: “...um fracasso, no máximo 1.500 pessoas”.

- Não faça isso, a senhora está mentindo. Tem várias vezes mais pessoas.

- A notícia é minha, mando a que quero.

- Pois o telefone é meu – disse ele, arrancando-lhe o aparelho das mãos – e nele você não manda mentira.

Entidades do pau oco

O procurador Marcelo Pastana viveu experiência inusitada, ao mobilizar a Polícia Federal na apreensão de dinheiro para compra de votos em Macapá (AP), em véspera de eleição, anos atrás. O santuário da grana era um terreiro que funcionava numa casa vistosa. Os pais-de-santo tentaram impedir a busca, alegando proibição das “entidades”, enquanto lá dentro queimavam as cédulas. Mas Pastana ainda apreendeu sacos de dinheiro no telhado.

Todos em cana, uma “entidade” exigiu cachaça, mas o procurador negou, lembrando a “lei seca” na véspera da eleição. Um homem “incorporando” mulher xingou Pastana – que, na dúvida sobre a quem autuar por desacato, preferiu ignorar a agressão.

E cair na gargalhada, certamente.

Sexo de governador

Israel Pinheiro era governador de Minas e conversava com amigos no Hotel Nacional, em Brasília, quando precisou ir ao banheiro. Ele ia entrando no toalete feminino e foi barrado por uma funcionária:

- Dr. Israel, esse banheiro é feminino...

Ele retrucou, mineiramente encabulado:

- Minha filha, e governador tem sexo?

Modesto, ele

Ministro de João Goulart e dono de grande sabedoria política, Santiago Dantas disse certa vez a Antônio Balbino, na Faculdade Nacional de Direito, no Rio, cheio de ironia:

- Sou cristão e, como cristão, devo ser modesto...

Ante o silêncio do interlocutor, completou:

- ...por isso só peço a Deus que me dê três coisas: cultura, dinheiro e poder.

Um incorrigível abstêmio

Corria célere a sucessão em Minas para escolher o substituto do governador Olegário Maciel, que morrera afogado numa banheira do Palácio da Liberdade. Eram candidatos Virgílio de Melo Franco, Gustavo Capanema e Antônio Carlos, mas certo dia Getúlio chamou um modesto dentista do interior de Minas, Benedicto Valladares, e o convidou para o cargo, recomendando-lhe completo sigilo sobre o convite. Mas ao chegar em casa Benedito Valladares desabafou com sua mulher:

- Getúlio convidou-me hoje para ser o governador de Minas.

E d. Odete, cética:

- Mas, Benedicto, você não havia me prometido nunca mais beber?

A origem dos charutos

Deputado da UDN gaúcha, o general Flores da Cunha escandalizou a Câmara ao defender o presidente Getúlio Vargas da acusação do líder da bancada, Carlos Lacerda, de ser conivente com a corrupção. Getúlio ficou encantado e mandou uns charutos para o general, mesmo temendo sua reação. O funcionário do Catete encontrou-o numa roda de parlamentares:

- Trago uns charutos que o presidente mandou.

- Que presidente, meu filho? – respondeu, fazendo-se de desentendido.

- O presidente do Flamengo – inventou o cuidadoso portador.

- Ah, bom. Então me dê os charutos.

Regime ilícito

Amigo de Getúlio Vargas e assessor de imprensa de João Goulart, o jornalista gaúcho Rivadávia de Sousa foi preso nos tempos de ira do regime militar, em 1968. O obtuso que o interrogava atacou:

- O que o senhor sabe sobre enriquecimento ilícito no governo de Jango?

Ele, topetudo e indignado, respondeu na bucha:

- Nada. Eu é que quero saber quem é hoje o responsável pelo meu empobrecimento ilícito!

Consideração de cabaré

Muito jovem, Osvaldo Aranha foi prefeito de Alegrete (RS) e decidiu acabar uma curiosa tradição: a briga diária, todas as noites, no cabaré da cidade, “Lulu dos Caçadores”. Tudo corria bem e animado até o relógio bater 2h da madrugada, e o pau cantava. Uma noite ele visitou a boate. Bebeu, dançou, foi embora às 3h, nada de briga. Voltou no dia seguinte, e novamente os valentões não apareceram. No quinto dia, já freguês, encontrou um vistoso aviso na parede: “Dr. Osvaldo Aranha, acabaram-se as considerações”.

Naquela madrugada, pontualmente às 2h, o pau cantou de novo.

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