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Federação Única dos Petroleiros voltou a piar

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), central sindical que se destacou por não emitir um único piado enquanto a Petrobras era tratada como carcaça pelos gestores-urubus nela colocadas pelos governos do Partido dos Trabalhadores, parece ter bicado no fubá e resolveu agora cantar de galo.

De fato, enquanto a turma do PT praticamente transformou a Petrobras num corruptoduto, os Fupistas nada tiveram a opor.  Agora, que a empresa deixou o mundo das falcatruas, vêm eles manifestar indignação pelo com os acionistas estrangeiros que demandam reparação pelos prejuízos que sofreram nas gestões dos amigos da FUP.

Nos desastrosos anos das gestões petistas na Petrobras, uma aterrorizante combinação de inépcia, incompetência e a mais deslavada roubalheira, levou a outrora gloriosa empresa de capital misto (o que significa que pode ser controlada pelo Estado, mas tem que prestar conta a seus acionistas) à beira da falência.

Por mais analfabeto em questões de contabilidade que alguém seja, terá luzes mentais para concluir que algo de muito podre estava se passando numa empresa que conseguiu acumular um prejuízo líquido superior a R$ 71 bilhões em apenas três anos (2014-2016). A FUP levantou algum questionamento sobre a gestão temerária de seus colegas sindicalistas? Nada, silêncio absoluto.

Pedro Parente, que foi meu colega na equipe do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento na gestão do ministro Marcílio Marques Moreira, é um profissional íntegro e extremamente competente. Assumiu o comando da empresa em maio de 2016 e conseguiu reduzir  naquele mesmo ano o prejuízo da Petrobras (que se encaminhava para ultrapassar os R$ 34,8 bilhões de 2015) para o elevado, mas descendente, prejuízo de R$ 14,8 bilhões. Em 2017, a situação caótica foi revertida. Nos primeiros nove meses do ano, o lucro líquido da empresa foi de R$ 5 bilhões.

Ao lançar ações no mercado internacional, a Petrobras passou a ter um tipo de acionista que se viu protegido pelas regras rígidas da Justiça dos Estados Unidos. Esses constituíram uma ‘class action’, com pedido de indenização de dezenas de bilhões de dólares, que é o que terá de ser pago se um acordo não fosse acertado e o juiz de Nova York emitisse uma sentença.

O Diário do Poder publicou outro dia declarações de um representante da FUP, José Maria Rangel, cuja ideia de entrar  com algum tipo pedido junto ao Ministério Público Federal para barrar o pagamento. Ele se disse satisfeito com o aumento oferecido pela Petrobras no último acordo coletivo de trabalho, mas querem ampliação dos benefícios de farmácia e do plano saúde.

Excelente a idéia de se chamar o Ministério Público para examinar a questão.  Verão que o acerto com os acionistas estrangeiros é o melhor caminho para minorar os danos que poderão ser causados à empresa se tal acordo não for implementado. O que o Ministério Público poderia fazer, complementarmente, é examinar queal a conduta do FUP nos anos em que a Petrobras foi transformada em velhacouto de oportunistas e de bandidos.

 

Pedro Luiz Rodrigues é jornalista, com atuação nos principais veículos de comunicação do País, e diplomata.

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