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Eis que vem chegando um novo ano. Bem-vindos sejam para a Nação Brasileira os dias de 2018. Ao longo deste ano que vai indo vimos e passamos por situações incríveis. Coisas de que, como se diz, até Deus duvidaria. Todavia o Brasil não é isso que entristece, que envergonha e humilha o cidadão de bem. O Brasil é um imenso contingente de almas livres e cheias de esperanças.

Um dia disse um dos sete sábios da Grécia Antiga, o filosofo, matemático e engenheiro turco, Tales de Mileto: “A esperança é o único bem comum a todos os homens; até os que já nada possuem a possuem ainda”.

O verde da esperança que ocupa o maior espaço da nossa bandeira acabou por indicar que aquela é a grande característica da brava gente brasileira e revela, também, seu pendor mais marcante. Mesmo a pequena parcela de nossa sociedade de ricos e abastados, conquanto pouco tenha para almejar, igualmente espera, ainda que por pura ganância, e os mais necessitados que compõe sua grande maioria, estes sim somente a fé e a esperança os alimentam.

É isso mesmo e pouco me importam as explicações, justificativas e as eruditas propostas daqueles que tramam e urdem para que tudo afinal fique como está, isto é, falando francamente: para que o rico com seus dinheiros aqui e no exterior e inabaláveis posições sociais permaneçam garantidos pela ordem constituída; para que os Príncipes e Mandarins da máquina pública, donos vitalícios dos privilégios e das benesses, continuem amparados pelo sistema, criado por eles mesmos; para que a banca e as sanguessugas da riqueza nacional sigam dominando as grandes fortunas e as melhores oportunidades no País e, por sua vez, para que a imensa massa daqueles que lutam para sobreviver e realmente produzem não tenham alternativas senão recolher as sobras e às vezes nem estas.

A esperança dos ricos e dos abastados, ainda que exista, não representa para eles a grande razão de vida e muito pouco lhes aflige, em face da certeza que possuem da irreversibilidade de suas situações. A esperança dos desvalidos e da classe média que pagam a conta daqueles privilegiados é indispensável e dela carecem como do ar para respirar. Por causa disso tudo suportam e, desde 1500, esperam pacientemente. É desse jeito. Em um País que nunca foi a terra da oportunidade para todos, a esperança é o que resta. Reparem se não é assim.

Desde o tempo do Império a elite prometeu ao povo a liberdade. Demorou muito, mas ainda que a fórceps aboliu a escravatura. Passados quase cento trinta anos, os cativos de antes – primeiro só negros e agora negros e brancos – ainda penam nas mãos dos sanguinários malfeitores nas comunidades e nas palafitas que vieram substituir os antigos feitores e os capitães do mato. A miséria e as valas negras da antiga senzala são as mesmas ou talvez piores das que agora são encontradas nos locais onde eles moram, e as correntes de ferros que os aprisionavam à degradação e ao horror apenas foram substituídas pelas bolsas esmolas engendradas pelos populistas canalhas da esquerda perversa e sorrateira. A tudo tem resistido essa pobre gente porque sonha e espera que um dia possa viver condignamente.

O País cresceu, sobretudo pelas mãos e com o enorme esforço de seu povo trabalhador dos campos e das cidades. Os oligarcas da impostura, donos absolutos da máquina pública de conluio com os negocistas da miséria alheia, àqueles sempre iludiram com promessas de justas remunerações e suficientes retribuições pelo muito que pagam a titulo de tributos. Até o dia de hoje essa gente esperou para receber o mínimo necessário para prover a própria mantença, porém muito pouco ou quase nada alcançou. Continuam esperando.

O Brasil, pobre embora, tornou-se um país conhecido e admirado por conta de sua classe média que, inobstante a origem humilde estudou e se aperfeiçoou para que tivéssemos algo de respeitável perante a Comunidade das Nações. O ódio da esquerda perniciosa e delinquente contra a classe média – tornado público pelas declarações histéricas de uma farsante da USP e guru do PT – aliado a um populismo ignóbil e inculto, promoveu nas últimas décadas a mais fantástica inversão de valores que já se viu numa sociedade contemporânea. Está sendo difícil vencer tal situação, mas o ocaso e a iminente prisão do “Analfa de Garanhuns” renovam a esperança do cidadão de bem.

O povo de um modo geral, com desalento e contida revolta, aguarda esperançoso o fim da exploração dos poderosos que varia desde o perverso lucro dos banqueiros até o injusto e irreal preço do mínimo que se pode consumir para viver. Nossa gente vem engolindo a seco tudo isso e muito padece quando, por exemplo, a mídia livre da rede mundial de computadores alardeia o que ocorre nos países desenvolvidos onde o Estado não é o grande rufião da sociedade e o capital especulativo seu maior algoz.

À vista do que ocorre com o Supremo Tribunal Federal tenho para mim que nossas instituições faliram e a classe dominante apodreceu e gangrenou de tal forma que a única esperança reside na ruptura total acompanhada pela profilaxia aplicada aos três poderes da República de forma que reabilite o Brasil como Nação verdadeiramente livre e democrática. As eleições de 2018 não são em absoluto a solução almejada, porque é justamente com ela e por causa dela que os patifes de sempre se encarregarão de manter tudo como aí está e todos os corruptos nos mesmos lugares.

Entretanto já ouço os ecos de uma enorme e inevitável reviravolta porque o brasileiro de todas as camadas sociais, do norte ao sul do País, no fundo de seu coração não acredita e não confia mais na corja encastelada no executivo, no legislativo e no judiciário que o mantém prisioneiro do atraso e da pobreza. Esperemos por esses novos dias que virão certos de que, como disse o poeta das Repúblicas Guerra Junqueiro: “Em tudo que alvorece há um sorriso de esperança”.
 

Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email. bppconsultores@uol.com.br.

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