A Colina da Liberdade

Oh Colina da Liberdade ! Quão sinuosa sois para ser vencida ! Quão angustioso é para nela permanecer ! Quão libertadora sois dos sonhos e das aspirações políticas de muitos mineiros ! Para a ocupação do Palácio da Liberdade, que a encima, encerra o seu título o prévio compromisso do aspirante. Quanta responsabilidade comunica a seu morador ! A Liberdade, tantas vezes invocada, a cada dia ! A Liberdade foi violentada em seu berço, já se queixava M. Roland ao caminhar para o cadafalso, e “quantos crimes se perpetraram em seu nome” !  É o manto da liberdade que agasalha aquele ícone da arquitetura nacional.

A Moradia oficial do governador dos mineiros, além da jura antes íntima que formal à liberdade, da parte de seu hóspede, há que obedecer também à tradição que a governa, que é sua história profícua assentada nos princípios do civismo, da coragem e da moralidade. Aquele que não possuir os qualificativos comparáveis aos nomes ilustres que aceitaram terçar as armas democráticas para alcançar a liderança que irá presidir naquele edifício mais que centenário, não deve arriscar-se a um prélio eleitoral, porque os mineiros saberão responder ao aventureiro. Por lá, conta a história, passaram nomes como João Pinheiro, que fez cintilar naquele espaço respeitável “o senso grave da ordem”, e esta escola subordina os candidatos que se colocam como aspirantes a governar Minas. Da Colina da Liberdade também partiram lições da responsabilidade do mandato tal qual determinou-se a si o grande Milton, em cuja posse sentenciou, das sacadas por testemunha, que “seu governo seria mais da lei do que dos homens”. Não há prova de maior magistratura e desprendimento. E cumpriu o propósito, até seu último dia naquela cobiçada cadeira, deixando-a já como um comum dos mortais, ao retornar para sua casa a pé. Realça ainda a galeria dos eminentes moradores daquele edifício emblemático o gigante Juscelino Kubitscheck, que, por tão prendado, muitos dizem acertadamente predestinado, produziu em Minas uma administração fantástica, como o fez precedentemente, na prefeitura de Belo Horizonte, e muito mais na esfera da União, alcançando lá o apogeu de sua capacidade realizadora. Muitos de seus desafetos o foram tão só por encargos políticos circunstanciais, depois penitenciando-se em depoimentos pungentes. Sim, pois todos enfrentaram oposições aguerridas. Lembremos da “UDN da calúnia”, aquele clube aristocrático que muito fez sofrer ao saudoso governador Bias Fortes e outros filiados ao influente PSD de então. E que também não pouparam os pessedistas de alta plumagem ao admirarem-se seus contrários da capacidade de seus caciques de aceitarem assentar-se a uma mesa de negociação, que renderia frutos ao partido. E não apenas de encontrarem uma fórmula conciliatória, mas a disposição irrecusável de cumprirem em bloco rigorosamente o combinado, era fato que a todos impressionava, a ponto de merecerem exclamação unânime de que “o PSD era sublime no apoio”.

Numa volta ao passado, seria justa a menção do notável homem público Magalhães Pinto pela administração que realizou e por sua liderança inconteste, porque corajosa e firme. Pelo discurso ideologicamente ousado e o favorecimento à indisciplina praticados por Jango, chefiou Magalhães, intrepidamente, o movimento armado de 1964. À parte as opiniões sobre a oportunidade da reação política e militar e sua motivação, Magalhães só comandou as manobras por sua indefectível autoridade moral. Esta é a qualidade do homem de Minas.

E é o que se espera dos candidatos ao próximo pleito, que já se multiplicam.
 

José Maria Couto Moreira é advogado.

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