O BRASIL E A SEGURANÇA ALIMENTAR MUNDIAL

O Fórum do Futuro, que tem como presidente o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, realizou nesta segunda-feira (13 de novembro), na sede do CNPq, o seminário ‘Diálogo Ciência e Sociedade”, onde fez o lançamento da ‘Plataforma do Conhecimento: Agricultura e Alimento”. Desenvolvida em parceria com o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos), a plataforma representa um espaço de referência da informação científica sobre a agricultura e o alimento.

Paolinelli (que quando ministro iniciou o processo que transformaria as regiões de Cerrado em grandes produtoras agrícolas) observou, na ocasião, que a agricultura tropical sustentável, baseada numa plataforma de Ciência, Inovação e Tecnologia, não apenas mudou a história econômica, ambiental e social do Brasil nos últimos quarenta anos, como inaugurou uma nova etapa na segurança alimentar mundial, “ao possibilitar que as nações tropicais pudessem participar do esforço da oferta de alimentos para uma população em crescimento vertiginoso”.

Agora, o  mundo espera que o Brasil continue a aumentar sua produção, “o que teremos de fazer ampliando de maneira consistente a sustentabilidade do processo, o que implica em desafiadora lista de compromissos”.  Segundo o ex-ministro, esta pauta deve incluir os seguintes tópicos:

a)  Mais Ciência e cientistas, e mais recursos para aprofundar, quantitativa e qualitativamente, o conhecimento dos biomas brasileiros.

b)  O Brasil deve ancorar uma plataforma global de pesquisa em rede na área dos biomas tropicais (que serão fonte primaz da segurança alimentar do planeta nas décadas vindouras) que englobe os países africanos e asiáticos situados nos trópicos.

c)  Em sua primeira fase, essa plataforma promoveu um  amplo processo de inclusão alimentar, resultado de maior produtividade e redução do custo real dos alimentos, não obstante a quantidade inaceitável dos que ainda são subnutridos: 800 milhões de pessoas.  A segunda etapa, que agora se abre, será ainda mais desafiadora, e para contrapor o aumento da exclusão alimentar via aumento de preços, será fundamental os investimentos em Pesquisa.

d)  As instituições e empresas devem encontrar novos caminhos para ‘resignificar’ a importância da agricultura na sociedade. Nenhuma outra nação conseguiu construir nessa área uma trajetória tão sustentável como a realizada no Brasil, devida ao esforço feito pelas universidades e pela Embrapa.

e)  A comunicação com a sociedade é fundamental, que leve em conta a transparência e a velocidade dos processos.

f)  O sucesso dessa trajetória dependerá da reputação internacional dos produtos e produtores brasileiros, interna e externamente. Construir reputação numa sociedade organizada em rede passa pela ‘comunicação substantiva’, com conteúdos que viabilizem o diálogo com consumidores e cidadãos sobre temas como: a contribuição da agricultura tropical para a saúde dos brasileiros, para sua longevidade, para a criação de empregos e formação de renda. Igualmente, é indispensável promover a regulação dos padrões de consumo, a certificação de origem dos produtos e sua rastreabilidade.

g)  É preciso, portanto, reconhecer, valorizar e financiar as estruturas de Comunicação das instituições do setor, bem como operar novas estratégias de financiamento da pesquisa e de fortalecimento de suas instituições de produção do conhecimento.

h)  É preciso do estabelecimento de uma  parceria entre os veteranos e os mais jovens. Os veteranos detêm a visão estratégica e a memória do acervo de conquistas passadas; os mais novos são os ricos detentores das soluções tecnológicas que produzem a cada dia um admirável mundo novo.  O segundo salto da Agricultura Tropical Sustentável trafega necessariamente por essa parceria entre gerações.

O Fórum do Futuro é um grupo de reflexão independente, voltado para o debate de questões estruturantes da sociedade brasileira, a partir da  perspectiva do desenvolvimento sustentável.

Pedro Luiz Rodrigues é jornalista e diplomata.  Colabora com iniciativas do Fórum do Futuro desde 2013.

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