Por mais que busque dos sociólogos ou dos antropólogos, não encontro uma explicação robusta e firme para a consabida tendência de nossa sociedade de onerar e até de sacrificar o cidadão correto e cumpridor de seus deveres para privilegiar ou proteger o infrator ou o criminoso. Sintam como isso marca nosso cotidiano.

Há quem sustente que essa cultura advém de nossa colonização - de antes da Independência - quando o monarca favorecia os apaniguados da Corte. A odiosa prática gerou a reação que exacerbou o protecionismo aos vassalos e às minorias. É, pode ser...

O fato, entretanto, é que nos dias de hoje o grande esforço que se faz é no sentido de amparar, desculpar, relevar o mal feito e o malfeitor, cercando de regalia o criminoso e o infrator em detrimento de qualquer empenho que objetive pelo menos fazer o mesmo para o brasileiro de bem.

Daí resultaram situações surreais. Dou um exemplo: em nome do princípio dos direitos humanos, nosso ordenamento premia um assassino frio com benesses, proteção e uma bolsa presidiário - concedida, de plano, para a família daquele monstro - enquanto deixa ao desamparo o trabalhador ferido para morrer nas filas dos hospitais e sua família destruída, que nada vai receber do Estado.

Releve o leitor a revolta dos indignados, mas às vezes me surpreendo torcendo para que esses fundamentalistas dos direitos e da proteção de bandidos fossem eles e suas famílias as vítimas de seus protegidos.

Do estatuto do desarmamento ou mesmo do da criança e do adolescente até as leis de amparo aos criminosos; das garantias aos acusados até os privilégios concedidos pelo sistema aos condenados; das infindáveis oportunidades colocadas para a defesa do delinquente até o conjunto de artifícios e artimanhas disponível para postergar a aplicação da pena, tudo – absolutamente tudo – gravita em torno de se beneficiar o infrator. Não se constata esse grau de leniência em países ricos e desenvolvidos.

Se todos esses esforços e energia dispendidos para amparar o criminoso tivessem sido dirigidos para proteção do cidadão de bem, estou convicto que teríamos avançado muito mais como Nação civilizada. Como se corrige isso?

Nossas instituições públicas - que deveriam liderar a revolução de costumes que viesse minorar o sofrimento desta gente que paga o alto preço por tanta ignomínia – a rigor vendem e traem o povo porque estão interessadas apenas em manter as vantagens de seus membros, funcionários e servidores. São capazes dos atos mais inescrupulosos para a máquina pública permanecer como está: aparelhada, caríssima, ineficiente, inconsequente e corrupta.

Nosso povo não quer mais ir para as ruas tomar praças e cidades e exigir o fim de tudo isso que levou o País aos caos social e, neste vácuo de civilidade, avançam os Príncipes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário na ousada e na petulante defesa daqueles que deveriam há muito terem sidos postos a ferros.

O propósito comum é um só, a saber, manter tudo como está até 2018, quando essa classe política abjeta e aqueles apaniguados dos três poderes terão garantidos suas privilegiadas condições por mais sei lá quanto tempo. Duro é assistir essas “caras de peroba” mal-intencionadas defenderem seus inconfessáveis interesses falando em nome da Constituição ou dos princípios republicanos.

Percebam no momento atual como se esforçam, dissimuladamente, os chefes dos três poderes da república, tramando e urdindo para ver ultrajada uma decisão da Suprema Corte que determinou o afastamento da função pública de um bandido da política, que a Nação estarrecida viu, ao vivo e a cores, praticando os crimes de corrupção passiva, obstrução à investigação e participação em organização criminosa. Vão se compor certamente. Deste episódio envolvendo o Senador Aécio Neves, o STF já está e sairá ainda mais desmoralizado. Quem viver verá.

Também com igual propósito de encobrir, disfarçar e enuviar, constatamos, diariamente, a injeção de doses maciças de estricnina impatriótica na veia cívica da população que, indefesa a isso, se submete, com o braço garroteado estendido e de cabeça baixa, a) aos sórdidos e encomendados editoriais de grandes jornais defendendo o impedimento de candidaturas avulsas, que em verdade constitui a única chance de se ter na presidência da república alguém que não tenha ligação com a canalha política; b) às catilinárias de sempre de esquerdistas enrustidos gritando apavorados contra a possibilidade de ocorrer uma intervenção militar ante a total e clara falência dos poderes da república, justamente os traiçoeiros que bem sabem distinguir os militares dessa gentalha que aí está porque incrementaram suas carreiras apropriando-se dos acervos e dos arquivos dos generais presidentes e de outros grandes lideres de 64; c) aos pérfidos movimentos das corporações do Judiciário capitaneados por gente sabida do “Mistério Público” e pelos “Mandarins Solta Bandidos” do STF, objetivando contornar ou neutralizar as medidas e providências de seus pares que mantenham a banda podre da política atrás das grades; d) às atitudes e comportamentos dos parlamentares que configuram ou que dissimulam suas nocivas omissões contra os colegas da roubalheira e outras que tais.

Se há uma coisa que me deixa roxo de raiva é ver esses soberbos gurus televisivos ou pseudos formadores de opinião tachar como pecado capital tudo que se faça contra essa corja que destruiu o Brasil e o envergonhou pelo mundo afora, rotulando como uma injusta e imprópria “criminalização da política”. Oh! Gente hipócrita! Ninguém quer ou precisa criminalizar a política. Isto hoje configura aqui no Brasil nítida redundância. O que se vê é a simples constatação de que os criminosos da política são todos aqueles que, por ação ou omissão, levaram o Brasil à banca rota e ao crime sistêmico no exercício da causa pública.

Diante disto e depois disso, o que se faz com essa gente do mal?

 

Jose Mauricio de Barcellos, ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. email.: bppconsultores@uol.com.br.  

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