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Quem se informa sobre a vida pública de Geddel Vieira Lima, conclui, sem dúvida, tratar-se de personalidade  lombrosiana, no conceito técnico-científico emitido pelo ilustre cientista italiano, responsável e pioneiro pela antropologia criminal. Seu currículo pregresso, pontilhado de cinismo, ousadia, desfaçatez, uma ininterrupta continuidade delitiva, simulação, um evidente desprezo ao risco, (ou o voluntarismo em desafiá-lo), tudo configura uma personalidade tipicamente criminosa. E desde suas origens no serviço público, sempre se insinuando para atuar em áreas estratégicas, Geddel contou imensas oportunidades que muitos varões almejam – a de deixar a lembrança de um homem comprometido com o interesse público e os valores éticos – mas o deputado baiano não cumpriu esta norma da cidadania, preferindo a prevaricação. Foi assim quando diretor do Banco da Bahia (aos 28 anos), presidente da Emater, diretor da Embasa Ba, vice-presidente da Caixa Econômica Federal, ministro da Integração Nacional e, por último, como prêmio de seu civismo e honradez, Ministro Chefe da Secretaria de Governo de Temer presidente (sua última façanha, a seguir defenestrado), anotando-se sua mal sucedida empreitada de governar seu Estado, quando a Bahia teve o juízo de negar sua pretensão. Em todas elas foi convocado a manifestar-se quanto a, no mínimo, fundadas suspeitas de desvio de conduta, favorecimento de terceiros e enriquecimento ilícito.  No final dos anos 80 envolveu-se, entre outros colegas, no rumoroso caso alcunhado “os anões do orçamento”, em que Geddel obteve vantagens em propinas, e o gravíssimo episódio rendeu o assassinato da mulher do operador do sistema, atentado atribuído ao marido, então assessor-chefe do orçamento no Senado.

Estremecida com a escancaração de malas e malas de dinheiro vivo em um apartamento em Salvador, totalizando mais de 51 milhões de reais e outros tantos milhares de dólares, apurada sua incontestável guarda pelas digitais encontradas pela Polícia Federal, a opinião pública sofreu novo e forte impacto, embora já afeita a tais flagrantes.

O personagem em questão, com a idade de 57 anos, não satisfeito com um patrimônio declarado de mais de sessenta milhões de reais, vale dizer que a tão temida Receita Federal tem sido tolerante com este contribuinte, pois a origem da fortuna não se compatibiliza com seus ganhos formais. Não há matemática que sustente a licitude de seu patrimônio.

A nova surpresa (mais um ato do banditismo explícito), não apenas castiga e constrange a infeliz família do agora detido na Papuda, mas amedronta os demais atores que se encontram no âmbito desta pornografia, aqueles que concorreram para o fato (está claro que ele não age solo, tem comparsas). E quem são eles ? Haveria uma pretendida delação da parte de Geddel ? Há um silêncio torturante nos gabinetes de Brasília ...

O caso do perverso Geddel, pelo seu comprometimento sui generis na vida pública, configura perfil lombrosiano, que requer aplicação de medida de segurança para resguardar a sociedade de seu eventual retorno. Geddel, quase sexagenário, é portador da síndrome de Pirandelo: um personagem à procura de um autor...

 

José Maria Couto Moreira é advogado.

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