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Irmãos Batista no país do Macunaíma

Cascais, Portugal - Os irmãos Batista – Joesley, José e Wesley – deitaram na sopa no governo Lula. Além dos 8,1 bilhões de reais que embolsaram do BNDES, eles também espalharam seus tentáculos para outros setores importantes do país. Depois de arrastar o Temer para o buraco negro da corrupção, os Batista meteram as patas dentro do STF. Veja que coisa desagradável: o ministro Gilmar Mendes, da principal Corte do Brasil (sempre ele, gente!), fez reuniões com o Joesley. Discutiram, em encontro reservado, a contribuição do Funrural que os irmãos não queriam pagar, causa que o STF estava julgando à época.

 

(Parêntese). Os Batista lembram o bilionário Eike, aquele que esteve preso no presídio de Bangu. Descobriu-se que ele enriqueceu usando os mesmos expedientes dos goianos. Corrompia os petistas que facilitavam empréstimos nos bancos estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES, Casas da Mãe Joana no governo da dupla Lula/Dilma. Ou seja: os caras ficaram bilionários da noite para o dia as custas do suor do trabalhador brasileiro. E pensar que ainda existem lunáticos que vão às ruas pela volta dos gângsteres petistas, aí é de lascar.

 

Depois de rico, os Batistas planejaram sonegar impostos. Queriam deixar de pagar o Funrural, mantido com a contribuição de produtores rurais à previdência. É muito cara de pau desses caras, não acha?

 

Para por o plano em prática procuraram Gilmar Mendes, cuja família vende bois para os frigoríficos dos irmãos. Mendes nega de pés juntos qualquer insinuação na conversa para ajudá-los a burlar às leis. Disse que o encontro foi republicano. Até votou contra o interesse deles no julgamento do Funrural, disse. Mas tudo isso é muito esquisito. E a pergunta que todo brasileiro hoje faz é: por que esse encontro não foi oficializado, numa audiência pública, dentro do próprio STF? Será que o ministro não tinha receio de ser gravado, como aconteceu com o Temer?

 

Na verdade, nunca passou pela cabeça de ninguém que um dia os Batista virassem delatores. Tanto é assim que o ministro Edson Fachin pediu ajuda do lobista da empresa dos irmãos Batista para chegar ao STF. Ricardo Saud, o homem da mala da JBS, percorreu os gabinetes do Congresso Nacional para convencer os senadores da capacidade jurídica do ministro, hoje o comandante da Lava Jato. Vangloriava-se de ter a maior bancada de deputados e senadores no Congresso, todos vivendo a soldo da JBS.  Montou, inclusive, uma rede na internet para divulgar as qualidades do pretendente ao cargo. Fachin, que já havia feito discurso defendendo a Dilma, finalmente chegou à Corte pelas mãos dela.

 

Como não existe jantar de graça, como dizem os lobistas em Brasília, eis que os irmãos Batista caem na rede do crime. Principal distribuidor de propinas para políticos, Joesley fez um acordo com o Ministério Público para se livrar da cadeia (e que acordo, hein!). Para manter a fortuna e receber salvo conduto para sair do país, ele resolve abrir o bico e detona todo mundo. Faz uma gravação – que não passou pelos peritos da Polícia Federal para atestar se foi adulterada ou não – e leva aos procuradores. Depõe sem o menor constrangimento, como se estivesse fazendo uma entrevista de emprego tal a cordialidade do interrogatório. Seleciona o que quer dizer e a quem quer acusar, e se manda para o exterior para gozar dos benefícios no império que construiu com o dinheiro de todos os brasileiros.

 

A parte curiosa de tudo isso é que enquanto Marcelo Odebrecht e outros empresários que cometeram crimes idênticos aos dos Batista mofam na cadeia, os irmãos Batista vivem no paraíso. Que azar dos Odebrecht! Eles até tentaram comprar um ministro do STJ que iria dar um habeas-corpus ao Marcelo e botá-lo no olho da rua. Mas a tramoia não deu certo e ele decidiu fazer a delação para diminuir a pena. O caso dos Batista é diferente. Eles não passaram pelas mãos implacáveis dos procuradores de Curitiba e do juiz Sérgio Moro. Fizeram suas delações para outro grupo, sob o olhar vigilante do Rodrigo Janot, e tiveram suas declarações homologadas por Fachin, o protegido deles para chegar ao STF.

 

Vale a pena repetir: no país do Macunaíma, não existe jantar de graça.  

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