Fachin deveria ter refletido mais

O estrago já está feito.

Faz um pouco mais de um ano que estamos na expectativa de algo viesse a sinalizar uma melhora na economia. Isto veio em passos lentos, veio e foi-se, assim, num voo de pássaro.

Os fatos.

O áudio que se dimensionou exacerbado, a julgar pela denominação da operação, Patmos – apocalipse - enfim, é passível de ampla contestação, refutação integral, a julgar o contexto de sua realização.

O Presidente da República foi incisivo: Não renunciarei.

Claro, já disse alhures, que uma primeira consequência seria a renúncia ao foro privilegiado e por consequência a assunção de seu suposto ilícito. Resistir é a regra, já vimos isto muito recentemente. A outra experiência no mesmo sentido, a renúncia de Collor, creio eu, deva ele imaginar ter sido um erro.

Mas o que se ouviu, pelo menos não assusta ninguém, mormente um cidadão versado na política, jurista, advogado, professor, experiente e que já não pode almejar algo mais além do que já conquistou, mais pela sua idade do que pela sua vaidade. Não é crível imaginar que se deixasse sucumbir por uma conversa que se revelou desde o seu início, pelo menos no trecho que se publicou até agora,  temerária, rançosa, enfadonha, como que se se buscasse mais confirmações do que revelações e neste sentido se viu respostas evasivas, tangenciadas, sem afirmações peremptórias. Sim, era isso que se esperava de alguém com este cabedal de qualificações. É  evidente que não se pode atribuir inocência a esta mesma pessoa, não; absolutamente. Deixar-se ludibriar por um empresário, envolvido em pelo menos três fases da Lava Jato,  cujo mérito foi beneficiar-se de um esquema sórdido de corrupção, capitaneado por um bando de corruptos, como se demonstra escancaradamente e diuturnamente, tão somente na expectativa de calar um presidiário que ameaça delatar fatos outros a fim de vingar-se e mais, livrar-se de penas mais rigorosas, é duvidar da capacidade intelectual daquele que já se provou não ser ignorante a tal ponto.

O turbilhão em que se envolveu o Presidente da República atingiu o Brasil. É certo que o Senador e o Deputado, aquele, sobretudo, pelo que se sabe concretamente, já está mais do que encalacrado também nas mais diversas fases da Lava Jato e seu comportamento revelou-se compatível com a sua prática. Aliás, a inércia do Judiciário foi o que proporcionou continuasse o Senador a agir como sempre agiu, promovendo o ilícito imaginando nunca pudesse ser descoberto, rememore-se que ele é indiciado em pelo menos sete inquéritos naquele sodalício.

Causa-me estranheza neste fato, as ilações acerca das relações entre os envolvidos, o encadeamento, a profusão e o emaranhado de vinculações que tratam todos do mesmo modo, no mesmo patamar. Não neste caso haveria de ser, parece-me. O açodamento do Ministério Público em adiantar-se no sentido de que o alvo não tem partido deixou-me intrigado. Seria como uma resposta a pressão das ruas, haja vista a iminência de condenação do líder das marchas vermelhas, como um alento, na expectativa vã de proclamar a realização de eleições diretas em afronta, mais uma vez, ao texto constitucional. O resultado foi o que se viu logo imediatamente: o povo na rua, a julgar sem processo, sem defesa, sem contraditório, quando há um rito próprio para tal mister, procedimento exaustivamente explorado pelos declarados corruptos extirpados do poder. Afinal, é o que querem mesmo os desavisados, os iludidos, os ignaros. Parece-me, com a vênia que se faz assente, que o Ministro do STF, relator da Lava Jato, deixou-se sucumbir aos arroubos da força tarefa da Lava Jato, mais prudente seria o tratamento em módulos distintos, num caso, o Senador, o Deputado; noutro, se efetivamente convencido de tal ilícito, o Presidente. Assim não foi, todos sabemos, o que não sabemos é onde isto vai parar. O Presidente será investigado, os demais, que deveriam ser presos não serão, o que pretende o Ministro do STF? Sangrar mais ainda esta Nação já combalida? Penso que Sua Excelência precisaria ter refletido mais, sobretudo em semana de alento para todos os brasileiros, incluído o exército vermelho, com a expectativa de melhores dias, que por ora, não virão. Vamos aos próximos capítulos que já tem data marcada no TSE. 

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