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A semana do nojo

Cascais, Portugal - Que papelão, hein Luís Inácio! Que coisa feia. Depois das seguidas bravatas contra o Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, na hora do confronto, parecia um coelhinho assustado saindo da cartola de um mágico. O ex-presidente repetiu mais de 80 vezes o “não sei de nada” para fugir das perguntas incômodas do juiz. Tentou fazer um discurso político, mostrou uma massaroca de papéis para se dizer perseguido pela mídia, especialmente pela TV Globo. Esqueceu-se que participou da mesma bancada do Jornal Nacional ao lado do William Bonner quando ganhou a eleição. Mas a coisa mais triste não foram as mentiras e as negativas do ex-operário frente ao magistrado. A vergonha maior foi ele entregar a mulher, Dona Marisa, como a intermediária da empreiteira do triplex de Guarujá.

 

Que decepção para os seus conterrâneos, hein Luís Inácio! Cadê aquele nordestino brabo que aparece em comícios e nas reuniões do PT brigando com o mundo, insultando os adversários? Virou farofa, como diria seus conterrâneos. O que ficou daquele Lula durante o depoimento é de morrer de pena. Encurralado pelas evidencias que o jogaram contra a parede, só teve uma alternativa: transferir para Dona Marisa todas as acusações que lhes eram atribuídas. Olha que coisa. Disse, por exemplo, que não sabia das visitas da sua mulher e do seu filho ao triplex. E que foi dela a ideia de adquirir o apartamento no litoral paulista mesmo sem gostar de praia. Que blasfêmia, hein Luís Inácio! Que falta de respeito a um ente querido que não está mais aqui para esclarecer os fatos.

 

Essa transferência de responsabilidade pelos malfeitos de Luís Inácio já vinha sendo engendrada desde que o pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo do peito, montou uma versão fantasiosa para explicar o dinheiro da Odebrecht que compraria o terreno do Instituto Lula e que tinha ele como receptador. Solto pelo STF, logo o laranja do Luís Inácio criou uma versão para livrá-lo das acusações. Olha que cara de pau! Disse ao juiz Sérgio Moro que partiu de Dona Marisa a ideia para criar o Instituto Lula. Agora em liberdade, Bumlai pode conversar com quem quiser, inclusive com os advogados de defesa do Lula que, em vez de ajudar o seu cliente, monta estratégias estapafúrdias, como essa de envolver a Dona Marisa, para tirar seu cliente da cena do crime.

 

Luís Inácio reclamou do bully que seus netos vêm sofrendo na escola por causa do noticiário da mídia que o aponta como chefe da organização criminosa que saqueou os cofres públicos. E agora, depois de jogar a avó das crianças na Lava Jato, o que o Luís Inácio vai dizer para elas? Que a culpa pelos crimes em que ele está envolvido é da Dona Marisa? Coitado do Luís Inácio, a que ponto chegou o homem que ainda quer voltar a presidência da república. Que covardia diante dos fatos incontestáveis que foram colocados sobre à mesa que o acusam de crimes contra o patrimônio brasileiro, especialmente a Petrobrás.

 

Luís Inácio amarelou diante do Sérgio Moro e dos procuradores que o interrogaram. Chegou a negar Vaccari três vezes como fez Pedro diante de Cristo. Ao ser pressionado por um dos procuradores sobre os encontros que teve com o ex-tesoureiro do PT irritou-se para dizer que “não sabia de nada”. Cometeu a leviandade de afirmar que também “não sabia de nada” do que ocorria dentro do partido. Que coisa, hein Luís Inácio!

 

No final do depoimento, tentou reverter o clima desfavorável. A estratégia dos advogados era de que Luís Inácio dispusesse de muito tempo para fazer as considerações finais. Para isso, eles abriram mão de falar, deixando para o acusado o tempo necessário para ele se explicar. Luís Inácio ainda ensaiou um discurso político, criticou o Jornal Nacional, mostrou uma pesquisa do espaço negativo que tem ocupado na mídia, mas foi interceptado pelo juiz que julgou desnecessários seus argumentos fora do contexto do interrogatório.

 

E depois de mais de quatro horas de depoimento, o que seu viu, na verdade, foi o Luis Inácio amarelar e insistir na repetição de que o triplex não é dele porque não existe escritura passada em cartório, mas não teve como justificar a papelada encontrada em sua casa, com rasuras, que mostrava indícios de transações do imóvel. Luis Inácio tinha, na verdade, um contrato de gaveta tão comum nesses casos quando o comprador não quer ser reconhecido.

 

Por fim, fica a pergunta: por que Luis Inácio desrespeitou Dona Marisa, companheira de décadas? Ora, porque Luis Inácio não livra a cara de ninguém quando tem que livrar a sua própria. E agora, mais do que nunca, está provado que Luis Inácio está levando para o túmulo todos os amigos com quem conviveu nas últimas décadas. A diferença é que alguns estão sendo enterrados vivos.

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