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À flor da pele

 “Ando tão à flor da pele, que qualquer beijo de novela me faz chorar”, diz o poeta maranhense Zeca Baleiro, refletindo como se encontram as pessoas hoje em dia, para o bem e para o mal.

Qualquer olhar indevido é sinal de que se está chamando o outro para a briga, nas festas da periferia e nos embalos dos bacanas, e um esbarrão é motivo para explosões de violência. Praticada a violência, o comportamento do autor é decisivo para que o público tenha raiva ou pena dele.

Mostrar-se com cara de arrependido é essencial para se obter o perdão da coletividade, mesmo que a mente esteja repleta de desejos antissociais. Vivemos uma era de direitos totais e negligenciamento completo dos deveres – de cuidado, atenção e respeito aos demais membros da sociedade em que vivemos. Tenho o direito de não trabalhar, de não estudar, de dispor das partes do meu corpo para desenhar e pendurar coisas, desde que alguém banque tudo isso.

Há na Bahia um ditado - “quem inventou, faça” – direcionado às pessoas com mania de fazer promessas para os outros pagarem. É o que precisa ser posto em prática no Brasil, onde tudo é possível sem que ninguém se veja obrigado a arcar com as consequências.

Miguel Lucena é delegado da Polícia Civil do Distrito Federal e jornalista.

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