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Tá na moda falar em listas. Desde a importantíssima lista que as senhoras fazem no supermercado, cuja importância para a economia foi ressaltada por Temer na “homenagem” que prestou a elas no Dia da Mulher, passando pela Lista do Janot  e agora a lista fechada para eleição de parlamentares em 2018.

 

Quanto às mulheres, Temer revela-se um saudosista. Foi Ataulfo Alves, que faleceu lá nos idos de 1969, que criou “Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia que era mulher de verdade”. Esqueceu-se que foi eleito na carona de uma mulher. Depois dessa incrível vacilada, nosso ínclito presidente deve estar cantarolando outro sucesso do seu ídolo Ataulfo: “Errei sim, manchei o teu nome”.

 

O Rodrigo Janot, por sua vez, não surpreendeu. Sua enorme lista é composta na sua maioria por figurinhas manjadas do submundo da politica, tipo Renan Calheiros, Edison Lobão, Fernando Collor, Lula, Antônio Palocci, Moreira Franco, Eliseu Padilha (o Eliseu Quadrilha, de ACM), Eunício Oliveira e Romero Jucá, entre outras dezenas de “autoridades” citadas na delação da Odebrecht. E inclui alguns “novatos”, como Dilma Rousseff, Aloysio Nunes Ferreira, Aécio Neves, Gilberto Cassab, Rodrigo Maia, Guido Mantega, José Serra, Bruno Araújo, entre outros.  Na semana que vem, o STF decidirá quem será oficialmente investigado. Oxalá o sejam todos.  O episódio serviu para revelar a coragem do Procurador Geral da República de escrever que “a democracia está sob ataque, conspurcada na sua essência pela corrupção e pelo abuso do poder econômico e politico”. Esta é a grande verdade.  Se a nação não conseguir se livrar do crime organizado que dela se apossou e se não puder eleger em 2018 gente nova com ficha limpa, aí sim há que se temer pela estabilidade democrática.

 

Este é o grande risco. Nossos parlamentares rasgaram a fantasia e na sanha descarada de se protegerem são capazes de qualquer atentado ao pudor.  Como a introdução da lista fechada, que significa, na prática, a perpetuação dos caciques atualmente sub judice que certamente encabeçarão as listas. Portanto, graças a esta manobra sórdida, se ela passar, serão reeleitos e manterão o foro privilegiado, codinome de impunidade graças à morosidade de justiça.

 

As vezes tenho dúvidas sobre o futuro do Brasil. Fico temeroso de que não consigamos limpar nosso país e redesenha-lo para retomar o caminho da prosperidade com justiça social. Arrasados pela revelação da corrupção, infelizmente somos forçados a constatar que o buraco ainda é mais embaixo. Tudo começou com o Pacote de Abril da dupla Geisel/Golbery, que acabou com a nossa representatividade proporcional ao número de habitantes na composição do parlamento, seguido pela Constituição de 1988, “a redentora”, que tornou o país ainda mais ingovernável, criando, entre outras barbaridades, nos seus 250 artigos e 80 emendas, odiosos privilégios de todas as espécies. Como, por exemplo, o imposto sindical obrigatório, origem da indústria dos sindicatos, hoje milhares, a maioria sem a menor representatividade. Corrompidos por pão com mortadela, eles conseguem paralisar as principais cidades do país, como fizeram na última quarta-feira, inspirados pelo sapo barbudo que diz que governou só para os pobres, esquecendo de mencionar os bancos, que  nunca ganharam tanto dinheiro, mais outros amigos “pobres” como seus filhos,  Eike Batista, o banqueiro Andre Esteves, Joesley Batista (da JBS, ou melhor, da JBNDES), Zé Dirceu, Bumlai, Odebrecht, etc... E ele próprio, que diz não saber quanto ganha, acha que mais ou menos 50 mil reais por mês, mas que só anda de jatinho por aí. Falando em JBS Friboi, que Lula sempre classificou como um exemplo de empreendedorismo, ela acaba de ser flagrada pela operação Carne Fraca vendendo carne podre, vencida, com químicos cancerígenos para disfarçar o fedor e frango de papelão, junto com a gigante BRF e outras menos votadas. Todas ganhando muita grana em off, graças a fiscais corrompidos, que servia para abastecer partidos como PP e PMDB. Se a mortadela também estiver envenenada, como a linguiça e as salsichas estão, os sindicatos e movimentos sociais terão muita dificuldade de reunir correligionários...

 

Mas afinal, que país é este?

 

Tem razão o professor Modesto Carvalhosa quando defende que só uma constituinte independente nos tiraria do buraco.

 

Já que a esperança é a última que morre, não nos resta outra alternativa do que lutar.

 

Como faremos no domingo que vem, quando iremos às ruas aos milhões para exigir que nos respeitem.

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