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O período das festas natalinas, há pouco encerrado, sempre renova em mim a crença de que é possível, se todos o quisermos, construir um mundo mais humano, mais fraterno e mais compreensivo. Não falo aqui de grandes projetos, de ideias muito elaboradas nem de coisas demasiadamente dispendiosas, mas daquilo que cada um de nós pode fazer, nos limites exatos da sua capacidade. Nessa época do ano os exemplos surgem aos montes, mostrados pela televisão e fazendo brotar em nossos corações a certeza de que a humanidade tem jeito, sim, apesar das guerras, do terrorismo e da corrupção. A nossa essência é do bem, e toda pessoa carrega em si o dom de se compadecer com a dor do outro, de dar algo do que tem para tornar menos pesado o fardo de quem caminha solitariamente ao seu lado.

Há mais de uma década contribuo, modestissimamente, com duas instituições filantrópicas que fazem a diferença para as pessoas carentes de Maceió: a Creche Escola Zilda Gama, na Ponta Grossa, e o Lar Francisco de Assis, na Serraria. A primeira, sob a batuta de D. Teresinha Madeiro, oferece educação de qualidade à primeira infância, dando a cerca de 50 meninos e meninas, além da instrução formal, noções de higiene, de boas maneiras e de empreendedorismo. A segunda, dirigida por Beth Melo, acolhe a velhice desamparada, propiciando aos que já caminham para o fim da sua existência terrena dignidade, carinho e respeito. Ambas as instituições não recebem subvenção alguma do poder público, e sobrevivem graças à ajuda de voluntários, anônimos em sua grande maioria. Uns ofertam dinheiro, outros alimentos e roupas, outros ainda as suas habilidades pessoais e profissionais. Há músicos, advogados, engenheiros, motoristas, médicos, enfermeiros, cabeleireiros, toda a sorte de pessoas que descobriram o quanto é bom fazer o bem, e que se esquecem um pouco dos próprios problemas para praticar o seu apostolado de bondade.

Às vezes basta um sorriso nosso para resgatar uma alma da depressão, noutras é necessário apenas o nosso ouvido atento para dar a alguém a noção da sua própria importância. O que para nós, bafejados pela sorte, é quase nada, pode ser tudo para quem tem muito pouco, para os que experimentam na carne a crueza do abandono e do desamparo. Um dia quiseram provocar o meu amigo Ricardo Melro, que faz um trabalho belíssimo na defensoria pública em favor dos pobres. “Você acha que vai mudar o mundo”? A sua resposta foi exemplar: “Não, mas o mundo daquela pessoa eu vou tornar melhor”. Que isso nos sirva de norte no 2017 que agora se inicia.

 

Diógenes Tenório Junior é advogado e membro da Academia Alagoana de Letras e do IHGAL.

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